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terça-feira, 12 de junho de 2012

Pra quem dizia que o amor não existe


Pra quem dizia que o amor não existe

Como pode algo que não existe insistir tanto?
Se a existência do amor é algo incerto
Em mim insiste em se manter concreto
Pois, como pode o inexistente causar pranto?

Como posso contigo me sentir completo?
Pois já sou todo eu e mais um tanto
É que sem ti vai-se da vida o encanto
Então será que está o amor correto?

Em devaneios anseio o teu calor
Mas como podem os sonhos causar dor?
Ainda sendo este amor que não existe.

Vivo feliz se em teu seio for
Pois morro todo dia de horror
Porque o inexistente ainda insiste.


terça-feira, 15 de junho de 2010

Finito Jardim

Sempre inadequado e inexoravel
É o momento que me leva ao torpor
Ainda voa na memoria o perfume inodor
Foi-se o jardim em morte inevitavel

Das flores do jardim que eu plantei
Com mãos de terra, da raiz de meu empasse
Fica no ar o cheiro, de antes que murchasse
As ainda brancas margaridas que lhe dei

Sempre soube, tudo muda alguma hora
Mesmo a olhar meu jardim em plena aurora
Aguardava um sopro de cortante dó

Eu sabia que o que vem da terra hora procede
Que a materia viva, em momento apodrece
E que margaridas hora ou outra viram pó


Essa foi direto de 1/8/07

terça-feira, 8 de junho de 2010

Que as borboletas voam eu já sei
ruim seria não saber que sou também
e lamentar não ter voado com alguem
se em algum momento pude encontrar a minha flor.


só pra continuar falando das flores

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Solsticio de verão

Solsticio de Verão
Saúdo os poucos que vagam no mundo mirando o horizonte
que onde a vida lhes curva mantem a cabeça erguida
olhando o caminho transformam, em intento, a masela em partida
e sem baixar a cabeça sabem, que todo abismo pode ser ponte
São andorinhas em bando voando ao centro do furacão
tentando dobrar os ventos com sua vontade agrupada
mostrando ao mundo que podem dobrar e não ser dobradas
Em um voo incansavel para poder garantir o verão
Saúdo a todos que quebram as regras, mas
só aquelas que inviabilizam as primaveras das
pessoas que sempre aguardam o verão de pé
Saúdo aqueles nunca aceitam o que há de pior
que dobrando os ventos constroem um mundo melhor
e nunca, simplesmente nunca, irão aceitar a vida como ela é

Para um amigo e camarada

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

as vezes não lembro o que já vivi
O que não significa que eu não acumule com as experiências
Pois a memória é a gaveta das aparências
No armário do tempo em que estive ali.

Acho que o que pesa são os papéis dentro dos bolsos
Que esquecemos nos casacos já guardados
O cheiro de cigarro na camisa usada em dias passados
O perfume na blusa que faz lembrar os rostos

A mim não importa tanto o que guardo na gaveta
Pois dobrei com tanto cuidado, que esqueço, e pego a camiseta
fedendo a cigarro e saio amarrotado

Pois no meu armário do tempo guardo as roupas com que sorri
Os casacos com que nos dias frios eu sofri
E as aparências eu esqueço nas gavetas do passado

13/10/09

quinta-feira, 18 de junho de 2009

o mundo é quente e cada dia mais
me sinto frio e o vento me desqualifica
bate-me a fronte gritando. me pedrifica
sinto que cada dia somos menos iguais

Cato os destroços dos erros passados
nos lixões perdidos desta terra arrasada
mendigo carinho onde só doam risadas
e monto sonhos com meus achados largados

Aqueles que despresaram o ido no centro se desmontam
Quando me mostro, terriveis, esticam a mão e apontam
berrando assombrados pelo meu desvio de conduta.

Sigo frio em um mundo quente, entenda
disfarsando a minha tentativa pura e lenta
de manter-me lapidando a pedra bruta


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Um poema de classe

O mundo nos programa hoje, a sociedade nos controla.
Nas ruas, nos bares, na tv na escola.
Tanto força a engrnagem, que pesa ser contra-mola.

É dificil crer que há saida.
Enxergar a porta do lado, materialmente descrita
Aquela que só vê mesmo quem com martelo lapida
a vida.

Apesar das instituições ideologicas do regime
há no horizonte possibilidades,
imagine
Juntos somos maiores do que aquilo que oprime.

como a maçã é fruto da terra em que o homem a planta.
e o que compos o seu pai é o que o operario canta.
É certo que um dia o derrubado levanta.

Pensamos e somos pensados pelos que em cima estão.
Pensam que somos tão fracos mas não pensam que eles o são
Mas quando a historia opera nunca ficam como estão.

Eu penso que historia são fatos
Pelos de cima eu não me pauto
As vezes, a classe fala mais alto!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Novo Mundo




Novo Mundo

Me estraga a dor que sinto pelo que não viví.
doi na na alma, se a tenho, o fluxo da historia
os processos dos povos, e como fica a memoria.
dos que lutaram, até o dia que de casa eu saí.

nesse mundo é meu odio que empurra a esperança
de que um dia havera forma para os sonhos
e construiremos outro mundo sobre estes restos enfadonhos
pois por mais barbarizados que estejamos, amanhã isso será mera lembrança

Talvez tenha tardado a sair
mas agora eu só paro quando vir
um momento mais humano e mais profundo.

Eu desprezo este sistema, nada belo
Para destroça-lo que eu luto e me rebelo
E sobre seus destroços criaremos um novo mundo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Vôo

Sabe, por mais tragico que seja um problema pessoal ele é só seu.
E no final, todas as suas inquietações estão dentro de você.
Pena que não voamos...

Vôo

Não sei como dizer, mas vou voando.
Sem saber se vou mais para perto
daquilo tudo que eu penso ser correto.
na duvida deixo para tras o pranto.

Bate em minha fronte forte vento
Secando meus olhares de tristeza
Enquanto venta contra, testando minha fraquesa
Eu vou voando para ver até onde aguento.

Passam assim voando as horas.
tão rapido como o empurrar da contra-mola.
que combate em sí o proprio centro.

Voam então meus sonhos, e acontece
Que o lugar aonde voam me entristece
porque eles voam longe, mas só dentro.

Corrói

Doi. mas será porque que tanto dói?
penso. não sei quanto vale o que tenho
é a dor, o pensar, franzo o cenho
e no fundo há algo que corroi.

são talvez os amores que não encontrei
As vezes todas que estive desperto até a aurora
talvez as vezes em que não fui embora
Ou os momentos em que não fiquei

talvez tenha ido
talvez eu até já tenha partido
só que eu ainda não sei agora.

sinto um vazio, um buraco no peito
sinto um erro, um raro defeito
creio que eu já tenha ido embora.

Isso é prosa




Tenho estado menos ultimamente..
Menos que o normal...
Isso não é um desabafo, não vejam assim. 
Até porque eu não iria desabafar com qualquer anonimo ou alma penada que vagueie por aqui... 
É só um motivo mesmo.
Motivo de não ter nada publicado.
Não tenho produzido nada.
Mas vou colocar dois do "acervo".

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Veso #334

Foram-se os tempos de ternura,
adiante agora, vamos partir.
o que fica são traços da morte.
cem migalhas de candura,
sem moradas para ir.
e o que vem a frente é sorte.
pois só ficam os que passaram.
e os que levam consigo o seu norte
estarão mais presentes para os incautos
até depois que os parvos morram
e que se saiba quando partir.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Confusa

Confusa

Você complica, desnorteia, foge.
Finge tudo sempre, eu entendo...
seus pensamentos estão contendo
uma vontade de ficar, e pode.

Ah, vai embora logo então.
Assim é muito complicado
to mais pra ficar do teu lado
mas sem toda essa enrolação.

Vai agora, vai pra longe.
Eu sei que você parte hoje
Mas amanhã você vai vir.

Faça então, finge que não te importa
Mas á noite na cama quase morta.
Vai pensar em mim antes de dormir.

terça-feira, 8 de julho de 2008

sopro do leste

soa logo ao longe o canto do sabia
ludibria a quem espera da vida
que seu canto cure a ferida
que vai durar a curar

sopra do leste o vento
e traz uma ideia a mente
algo de uma outra gente
um ainda imaturo rebento

esse é o canto voraz da aurora
que rebenta com o que está
assovia, anunciando a hora

do voô rasante do sabiá
está só soprando agora
pois só o que vem do leste restará

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sem mais

Sem mais

Sem mais, camarada
já estou me indo agora.
o que não quer dizer que eu não vá mais voltar.

sem mais, companheiro
já começa a aurora.
o que não anuncia nem um fim.

É, já vai brilhar o sol
alto, logo, logo.
e já é hora de parar com a bebedeira.

É, esse dia novo só promete
e que dê tudo certo, rogo
mas ainda há tempo para aquela saidera.

Vem comigo. Vamos juntos.
Ou me leva só até a parada.
Amanhã, ou hoje, teremos á frente muita estrada.

Vem vamos sair do bar que já é tarde (ou cedo)
To largando e te encontro logo mais.
E não esquece a tua bandeira
Daqui á pouco é a correria aquela
E é melhor eu me apressar.
Até.
Sem mais.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Não sei nadar

Não sei nadar

escorrem pelas beiras do oceano as palavras
são peças desencaixadas do engano
que se mantem livre pelos anos
que passam alem das praias desertas.

deixe-me então.
presiso ser quem eu quero.
ao menos agora.
se não der mais não há.
então poderei deixar de ser o que não fui.
e continuar sendo só que virá.

e quando o mar tocar a praia saberá
que não foi a proa leve da aurora
que flutuou sobre o escrito
foi só mais um dia inspirador
avisando que o tempo é recolhido.

deixe-me então.
não há mais ser.
é só o vazio que abarca.
e viaja constante pela praia.
para não deixar-me ver
o que está.

então é tarde, e o tempo fecha.
e envolto em tempestate o barco vira.
e o arqueiro estica sua mão
e enquanto o barco gira
ele avisa o barqueiro
que o tempo é sua flecha
e que me mira o coração.

...continuo a não saber nadar.

insiste

insiste

não me falem mais besteiras
já passou o que esperava
eu não me joguei na estrada
e nem sumi como a poeira

não sei mais o que realmente existe
nem sei o que resta pra viver
não sei nem ao menos compreender
o que é essa dor que insiste.

hoje eu quero estar sozinho
queria mesmo era estar juntinho
de alguem que não apareceu

hoje parece que nada existe
mas há uma dor que insiste
e talvez não haja "eu".

domingo, 22 de junho de 2008

não é mais um soneto de amor

te amo com todas as forças
te engano quando me iludo
disfarço quando tu vês e mudo
contigo e com outras moças.

sinto um algo, assim, infinito
parece muito por um instante
mas, quando sigo adiante
sinto já que não sinto.

sentir me persegue pela vida
só que sempre estou de partida
e mesmo partindo isso insiste.

sinto me apaixonar num minuto,
mas depois sinto que sinto muito
porque o amor, o amor não existe.

Maquina.

Maquina.

Não sei se é esse braço que faz "tic"
que já não vejo mão mas só arestas.
Não estou ligando todas peças.
Estou só concentrado na tarefa.

Antes eu fazia, com esmero.
Mas então logo veio a matrela.
E passou a fazer o que eu fazia.
E enquanto outrora eu só era o martelo.
Hoje eu sou mesmo é ela.

Eu sou maquina!

Sou ruído continuo e urbano.
Já não posso transigir a sua regra.
Fui fazendo o produto ano a ano.
E fui moldado pela sua meta.

Já não sou mais corpo só função.
Não há mais fé, nem esperança.
A fé move a montanha, não o patrão.
E mesmo que eu espere mais um dia.
Sigo a praguejar com insegurança.

Eu sou pouco que produz sozinho.
Eu sou o lucro e o salário do dia.
Eu sou pouco sem o meu vizinho.
Que em quanto trabalhava ainda sorria.

Já existiram outras maquinas como eu.
Umas até dedos cortaram.
Mas em momento algo se perdeu.
E acho que elas pifaram.

Eu continuo sempre a produzir.
Sempre, sempre, nunca paro.
Eu produzo sem produzir nada.
Continuando um trabalho nada raro.
Continuo sempre sendo maquina!

Mas sou eu e os vizinhos.
Somos todos peças adjacentes.
Temos ilusão de ser sozinhos.
E ilusão de sermos diferentes.

Somos todos maquina.
De uma mesma industria.

Mas que trabalha desligada.

E desligada produzimos.
Produzimos nada!

Mas eu sei que vai raiar o sol de um novo dia.
Que brilhara alem da industria.
Que trará mais sabedoria.
Para esse amplo maquinário.

E então nós que somos maquinas
Produziremos de verdade.
Sem patrão, industria ou horário.
Produziremos uma nova sociedade.

Não como hoje produzindo desligado.
Que por enquanto faço sozinho.
Quase sempre só o meu trabalho.

Pois para deixar de ser sozinho precisamos
Ser aparelho integrado.

Hoje, faço “tic”, pois sou maquina.
E produzo o meu nada sozinho.
Estou prezo sem os meus vizinhos.
Que também não produzem nada.

E só deixarei de ser maquina quando todos de nós formos ligados.

Pelo Filtro...

pelo filtro...

passa pela rua o zé
passa de cabeça baixa
busca algo entre calçada e o nada.
busca algo entre calçada e o pé.

passo pela mesma rua.
ando, torto, praguejando para lua.
tambem com a cabeça baixa.
busco uma nota de rodapé.

parem com essa besteira de sentido!
não ha mais metrica e pronto.
nada nesse mundo é permitido.
e mesmo que fosse o que você faria?
andaria pela rua solto?

não tenho as repostas para nada, só perguntas.
ah, e tambem um maço de cigarro.
não sei o que tem entre o zé e calçada.
talvez nada, talvez nada.
ha quem diga que todos viemos foi do barro.
daí se perguntam que fazer, pra onde ir.
Que fazer?
------Deixa eu dar só mais uma tragada....